Na manhã desta quinta-feira, 05, três pessoas foram presas, durante uma operação do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) que esclareceu o assassinato de Francisco Pereira da Rocha, conhecido como “Chico Sapato”, ocorrido no dia 13 de janeiro, na zona rural do município de José de Freitas. Segundo a polícia, o agricultor foi morto após circular uma falsa informação de que ele passava informações para a polícia.

Os suspeitos foram localizados na localidade Olinda, zona rural do município. Entre os presos estão os dois executores do crime e o olheiro, responsável por avisar sobre o deslocamento da vítima. Durante as diligências, uma mulher também foi presa em flagrante por tráfico de drogas.

O delegado Bruno Ursulino, responsável pelo caso, explicou que as investigações começaram imediatamente após o crime e contaram com o apoio da Delegacia Seccional de José de Freitas.
“No dia 13 de janeiro aconteceu o homicídio do senhor Francisco, conhecido como Chico Sapato, e as investigações se iniciaram imediatamente. Nossa equipe foi designada para dar continuidade aos trabalhos, com troca constante de informações com a delegacia seccional de José de Freitas, que nos ajudou bastante”, afirmou.
Segundo o DHPP, foram presos Francisco Douglas, conhecido como “Bigodinho”, apontado como piloto da motocicleta, e Jefferson William, padrasto de Douglas e garupa da moto. De acordo com a polícia, os dois foram os autores dos disparos que mataram a vítima.
Também foi preso Francisco Alves, conhecido como “São Pedro”, apontado como olheiro do crime.
Durante as diligências, Ivonete Alves, mãe do piloto da motocicleta, foi presa em flagrante por tráfico de drogas, após a apreensão de cocaína e crack.
Motivação do crime Conforme as investigações, o crime foi motivado por uma suposta colaboração da vítima com a polícia, informação que não se confirmou, mas que circulou na região após uma operação policial realizada em 28 de novembro de 2025 pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
“A vítima passou a ser colocada como um possível colaborador da polícia, mas isso não é verdade. Mesmo assim, essa informação correu na região e foi usada como justificativa para o crime”, explicou.
O delegado detalhou que o assassinato foi encomendado por Janildo Amaro de Oliveira, conhecido como “Galego”, apontado como mandante e coordenador de um grupo de pistoleiros que atuava na região.
“O Galego mantinha um grupo de pistoleiros escondido em uma propriedade rural. Esses homens eram acionados sob demanda para crimes por encomenda, e ele foi quem ofereceu toda a logística, armamento e pagamento pela execução”, afirmou.
Dinâmica do crime
Segundo a polícia, o valor oferecido foi de R$ 5 mil, além da quitação de uma dívida relacionada à venda de porcos.
No dia do assassinato, os executores saíram da zona urbana de José de Freitas até a zona rural, foram até a casa da vítima e chegaram a manter contato com familiares.
“Eles perguntaram pela vítima e, ao serem informados de que ela vinha descendo pela rua principal, retornaram, desceram da moto armados com um revólver calibre 32 e outro calibre 38 e efetuaram os disparos”, relatou.
Após o crime, os suspeitos fugiram em direção à zona urbana. Todo o trajeto foi reconstituído pelos investigadores, o que permitiu a identificação dos envolvidos e o cumprimento dos mandados de prisão.
O delegado destacou que Chico Sapato era um cidadão de bem, sem envolvimento com atividades criminosas.
“Era um cidadão de bem, não tinha envolvimento com crimes e também não participou da prisão de pistoleiros naquela região”, reforçou.
Histórico de Janildo, o Galego O mandante do crime, Janildo Amaro de Oliveira, morreu em confronto com equipes do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (Bepi), no município de Luzilândia, após reagir à abordagem policial.
“Ele era um criminoso já procurado por vários estados. Ao ser localizado, reagiu à prisão, sabia que tinha pelo menos três mandados de prisão por homicídio e acabou morrendo no confronto”, explicou.
Segundo o delegado, a arma apreendida com o mandante foi reconhecida pelos presos como a utilizada no crime.“Os presos afirmaram que o revólver calibre 38 apreendido com o Galego foi o mesmo utilizado no homicídio, já que ele forneceu toda a logística”, afirmou.
O DHPP informou que os executores não eram pistoleiros profissionais, mas criminosos locais envolvidos com tráfico de drogas e roubos de motocicletas.
“Eles eram bandidos locais. O Bigodinho, por exemplo, tem histórico de roubos de moto. Essa proximidade com o grupo facilitou a contratação”, disse.
A investigação apontou ainda que os suspeitos tinham vínculo com a região da vítima, o que facilitou a identificação do alvo.
“Um dos suspeitos chegou a estudar com um filho da vítima. O mandante sabia que eles conheciam a região e não errariam o caminho”, acrescentou.
De acordo com o DHPP, o inquérito foi encerrado e, até o momento, não há outros envolvidos a serem presos. Os suspeitos seguem presos preventivamente.
Com informações do cidade verde