A CoronaVac, vacina contra Covid-19 do laboratório chinês Sinovac, mostrou ser eficaz contra a variante de Manaus do coronavírus, segundo dados preliminares de um estudo feito pelo Instituto Butantan, responsável pelo estudo clínico da vacina e que está envasando o imunizante no Brasil, disse uma fonte com conhecimento do estudo à Reuters nesta segunda-feira (8).
Segundo a fonte, o estudo foi feito por meio do exame de amostras de sangue retiradas de pessoas vacinadas com a CoronaVac e testadas contra a variante de Manaus, e os dados preliminares indicam que o imunizante foi eficaz contra a cepa. O estudo ainda será ampliado para a obtenção de dados definitivos.
A variante do coronavírus conhecida como P1 e originada em Manaus é apontada como mais transmissível do que cepas anteriores do coronavírus e, por isso, é vista como um dos fatores que levaram ao recrudescimento da pandemia de Covid-19 no Brasil nas últimas semanas.
O Butantan já entregou 16,1 milhões de doses da CoronaVac, que é aplicada em duas doses, ao Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. Além desse montante, o PNI conta atualmente com 4 milhões de doses importadas prontas da Índia da vacina desenvolvida em conjunto entre a AstraZeneca e a Universidade de Oxford, no Reino Unido.
O presidente do Butantan, Dimas Covas, disse anteriormente que a CoronaVac teve resultados "muito positivos" em teses feitos na China contra as variantes britânica e sul-africana da Covid-19, também apontadas como mais contagiosas que cepas anteriores.
Um antiviral para tratamento da covid-19 desenvolvido pelos laboratórios Ridgeback Biotherapeutics e Merck apresentou resultados animadores na segunda fase de testes em humanos, informaram as duas empresas.
O medicamento molnupiravir foi capaz de reduzir a carga viral de pessoas infectadas pelo coronavírus no 5º dia de uso, segundo o comunicado.
Este foi apenas um dos desfechos do estudo — os demais devem ser apresentados nos próximos dias. A fase 2 envolveu 202 pacientes adultos com covid-19 não hospitalizados.
O principal objetivo da linha de pesquisa é desenvolver um medicamento a exemplo do que ocorre com o Tamiflu (oseltamivir), usado frequentemente nos primeiros dias da gripe.
“Os resultados do objetivo secundário neste estudo, de uma redução mais rápida do vírus infeccioso entre os indivíduos com covid-19 precoce tratados com molnupiravir, são promissores e, se apoiados por estudos adicionais, podem ter implicações importantes para a saúde pública, particularmente porque o SARS-CoV- 2 vírus continua a se espalhar e evoluir globalmente", afirmou o médico William Fischer, investigador principal do estudo, por meio de uma nota das duas empresas.
Os resultados apresentados também dão conta de que o remédio é seguro. "Dos 4 eventos adversos graves relatados, nenhum foi considerado relacionado ao medicamento do estudo", afirmam os pesquisadores.
Segundo os desenvolvedores, o molnupiravir já se mostrou ser capaz de ajudar no tratamento e na profilaxia de outros tipos de coronavírus, como os que causaram as epidemias da SARS (2002-2003), na China, e da MERS (2012), no Oriente Médio.
Os laboratórios continuam a fase 3 de testes, com um número maior de participantes, para obter resultados que possam sustentar um pedido de uso emergencial da droga junto às agências reguladoras.
Dados preliminares de um estudo realizado pela Universidade de Oxford indicam que a vacina contra covid-19 desenvolvida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca é eficaz contra a variante do coronavírus P.1, identificada inicialmente em Manaus (AM), disse à agência Reuters uma fonte com conhecimento do assunto nesta sexta-feira (5).
A informação sugere que a vacina não precisará ser modificada para proteger contra a variante, disse a fonte, que pediu anonimato porque os resultados ainda não foram divulgados.
A fonte não forneceu a eficácia exata da vacina variante, mas disse que os resultados completos do estudo devem ser publicados em breve, possivelmente em março.
Os primeiros resultados indicaram que a vacina da AstraZeneca foi menos eficaz contra a variante sul-africana, que é semelhante à P1. Posteriormente, a África do Sul suspendeu o uso da vacina no país.
A informação vem após um estudo de pequenas amostras sugerir que a vacina contra covid-19 desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac pode não ser eficaz contra a variante brasileira.
A primeira necropsia minimamente invasiva realizada na Bahia teve como objetivo examinar órgãos para avaliar a causa da morte em um paciente com complicações pela covid-19. O procedimento foi feito pelo pesquisador da Fiocruz Bahia Geraldo Gileno, em conjunto com uma equipe de pesquisadores e estudantes da instituição, em parceria com o Instituto Couto Maia.A iniciativa faz parte do projeto COVPEM, que analisa como o organismo lida com a infecção ocasionada pelo coronavírus. O estudo procura entender como é possível reconhecer precocemente se o paciente possui risco de evoluir para um quadro grave da doença e quais as possíveis estratégias para reverter este prognóstico.
O projeto, coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia Washington Santos, é realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), do Programa Inova Fiocruz e do Instituto Couto Maia, por sua diretora, Ceuci Nunes, e pela médica residente Lilian Verena da Silva Carvalho.
“Estamos inaugurando, na Bahia, a realização desse tipo de procedimento para adquirir conhecimentos sobre a covid-19. As informações obtidas serão passadas aos clínicos para colaborar com a melhoria do tratamento dos pacientes. Futuramente, pensamos em utilizar esse tipo de técnica para vigilância epidemiológica de diversas doenças, dando subsídio para ações das autoridades de saúde a partir da otimização da identificação das causas de morte”, explica o pesquisador.
Sintomas da covid-19 podem se transformar em doença crônicaNecropsias ou autópsias são realizadas para se descobrir as causas da morte, estudar as doenças e aperfeiçoar os conhecimentos na medicina. De acordo com o pesquisador, o número de autópsias convencionais vem diminuindo em todo o mundo, os motivos são: os custos elevados, os familiares nem sempre concordam com a realização do procedimento por questões religiosas e culturais, o avanço no uso de diagnóstico por imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, e o surgimento de diversos exames laboratoriais.
“Quando as autópsias convencionais são realizadas descobre-se que alguns diagnósticos não foram feitos corretamente ou que o tratamento de alguns pacientes não foi o correto. Mesmo hoje em dia, a discrepância entre os achados clínicos e os achados de autópsia ainda ocorre em cerca de 15% dos casos. Portanto, autópsias ainda são necessárias para o avanço da medicina. Além disso, são importantes na identificação de doenças e causas de morte e alocação de recursos do Estado na área da saúde e para estudo de epidemias e novas doenças, como a covid-19”, conta o pesquisador.
Nesse cenário, pesquisadores buscam o desenvolvimento de novas técnicas menos invasivas para a obtenção de informações médicas. Dentre essas, está a autópsia minimamente invasiva guiada por ultrassonografia, desenvolvida por Paulo Saldiva, professor do Departamento de Patologia, da Universidade de São Paulo, pioneiro no estabelecimento de novas técnicas para necropsias, com quem Geraldo Gileno obteve a expertise através de treinamento.
“Na medida em que melhorarmos as nossas habilidades e estivermos realizando com sucesso os procedimentos, nós pretendemos treinar médicos patologistas, inclusive de regiões mais afastadas da capital do estado, através de cursos e oficinas”, afirma. A necropsia minimamente invasiva apresenta algumas vantagens com relação ao método tradicional, pois é mais simples, barata e segura para a equipe que a realiza. O pesquisador explica que as necropsias tradicionais são realizadas a partir de extensas incisões no corpo, que pode, por exemplo, ir do pescoço ao púbis, para a retirada e exame dos órgãos.
Com a nova técnica, amostras de vários órgãos, como coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestinos e glândulas salivares, são coletadas com agulhas. “A coleta pode ser feita quase que em qualquer local, por uma equipe pequena, apenas com a introdução de uma agulha, quase sem causar alterações no corpo, sendo mais aceitável pelas famílias”, comenta Geraldo Gileno.
As amostras coletadas pela necropsia minimamente invasiva também podem ser analisadas por diversas técnicas usadas no estudo de necropsias convencionais, como microscopia ótica e eletrônica, além de permitir analisar a quantidade de vírus e avaliar características genéticas.
Aspectos genéticos regionais podem influenciar no desfecho da infecção pelo coronavírus, também por isso a importância desse tipo de estudo da covid-19 ser realizado no estado. “Podemos analisar se o paciente pode ter um gene que o predispõe a uma forma mais grave da infecção e, por exemplo, como os genes ligados à inflamação se expressam”, conta o pesquisador.