O Fluminense passou um sufoco muito maior do que o necessário, mas se garantiu na final do Campeonato Carioca ao empatar com o Vasco em 1 a 1 no jogo de volta da semifinal, com gols de Robert Renan e Ganso. Como havia vencido a ida por 1 a 0, avançou com a vitória no agregado.

Os tricolores chegam à sexta final de Estadual nas últimas sete temporadas, em busca do 34º título, mas não sem drama. Precisaram que Fábio salvasse atrás e que Ganso resolvesse na frente, já nos minutos finais, para conseguir o placar necessário para avançar.
Chance desperdiçada e time perdido O começo caótico da partida ditou muito do que foram os primeiros 45 minutos. Logo no primeiro lance, Canobbio escapou em contra-ataque e foi derrubado na área por Barros. Era a chance de abrir 2 a 0 no agregado logo aos três minutos. Mas a empolgação da torcida deu lugar à frustração quando Renê pegou a bola para bater, caminhou lentamente e mandou para fora.
Parece que tudo dali para frente foi condicionado pelo erro inicial. O time tricolor não era sombra da organização e da intensidade que vinha imprimindo neste começo de ano, mesmo na derrota contra o Palmeiras na última quarta-feira. A pressão na saída de bola era descoordenada e dava espaço para os lançamentos do Vasco nas pontas.
Foi justamente pelo lado de Renê que Andrés Gómez se criou, recebendo bolas longas e partindo em velocidade.
No ataque, Serna pouco participava, Lucho ficava preso na marcação e só Canobbio conseguia produzir alguma chance de perigo pelo lado direito — ainda assim, muito pouco. Não à toa, o time terminou a primeira etapa com apenas três finalizações, todas para fora.
O Vasco era quem levava mais perigo e só não abriu o placar antes por erros de finalização. David teve uma grande chance e isolou. O castigo ao Flu veio já na reta final do primeiro tempo.
Renê se enrolou na saída de bola e entregou nos pés de Andrés Gómez. A finalização do colombiano foi desviada e, no escanteio, Robert Renan abriu o placar após rebote de Fábio em cabeçada de Saldivia. O time tricolor foi para o intervalo perdendo com justiça, sem conseguir se impor no Maracanã.
Mais sorte que juízo Maxi Cuberas, auxiliar de Zubeldía que comandava o time durante a suspensão do treinador, optou por manter a mesma formação, e a postura não foi diferente na volta do intervalo. A equipe seguia espaçada, com dificuldades para produzir chances e cedendo espaços aos contra-ataques vascaínos. A chance de classificação quase escorreu pelas mãos em erro de Freytes, que deixou a bola escapar do domínio e precisou fazer falta para impedir que Gómez saísse cara a cara com Fábio.
A partir dali, a torcida perdeu a paciência e passou a vaiar tanto o zagueiro quanto o lateral-esquerdo Renê. As entradas de Savarino, sob pedidos da arquibancada, e de Arana qualificaram o time pelo lado esquerdo e ajudaram na saída de bola.
Mas foi pela direita que começou um dos lances que virou o momento da partida. Samuel Xavier errou, David escapou, arrastou a marcação e lançou Gómez, que foi derrubado por Freytes dentro da área. Pênalti para o Vasco aos 25 do segundo tempo.
O Fluminense ficou às portas de uma eliminação que, pelas circunstâncias do confronto, seria constrangedora. As chances perdidas na ida, somadas ao pênalti na volta, poderiam ter dado uma classificação tranquila ao rival. Mas é nos momentos de maior pressão que aparecem os grandes. E, embaixo das traves, o Flu tem um dos maiores. Fábio vestiu a capa de herói e defendeu a cobrança de Brenner para manter o time vivo.
Mais do que isso, inflamou a torcida tricolor — maioria no estádio — e ajudou a acordar a equipe na partida. Cuberas aproveitou a parada técnica para mudar o time em duas frentes. Primeiro, deu mais tranquilidade à defesa com as entradas de Guga e Ignácio nos lugares de Freytes e Samuel Xavier, dois que tiveram uma noite para esquecer. Depois, buscou mais qualidade no passe e chegada ao ataque ao colocar Ganso no lugar de Hércules.
Se coube a um gigante da história tricolor manter o time vivo na defesa, foi outro que apareceu na frente para resolver e colocar o Fluminense na final. Depois de Barros meter a mão na bola e evitar que uma cabeçada de Jemmes fosse na direção do gol, o árbitro marcou pênalti, e Ganso chamou a responsabilidade. Com categoria, tirou de Léo Jardim e empatou a partida na cobrança, já aos 42 do segundo tempo.
Os números nem sempre contam a história de um jogo, mas o fato de a única finalização do Fluminense na direção do gol durante os 90 minutos ter sido o pênalti convertido mostra como o time teve mais sorte do que juízo. Campeões muitas vezes precisam superar momentos como o deste domingo. A vaga está garantida, e a decisão vai exigir uma noite especial pela conquista da taça.
GE
Foto: André Durão/ge