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Parte da carga de veneno que caiu na região do Balneário Xixa, em Bertolínia, foi saqueada. A constatação da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh) coloca em alerta o potencial de contaminação humana e ambiental após o acidente.

venenorio

Segundo o gerente de fiscalização da Semarh, Renato Nogueira, a carga do caminhão que tombou no local — e que levou o motorista a óbito — continha 1.700 embalagens de 20 litros, totalizando 24 mil litros de três tipos de veneno.

Ele explica que a carga possuía regulador de crescimento de insetos, fungicida para lavoura de soja e um pesticida muito utilizado contra lagartas e cigarras. Os produtos altamente tóxicos vinham do Ceará com destino a Cuiabá, no Mato Grosso.

“O produto foi lançado sim no rio. O produto é altamente tóxico ao meio ambiente, altamente tóxico ao ser humano, os vapores dele provocam diversos efeitos colaterais ao ser humano. Tivemos informação do saque da carga, parte dela, o que vai dificultar muito a questão do inventário ambiental para a gente saber realmente quanto caiu no riacho. Essa embalagem em residências pode provocar um outro acidente porque são produtos muito tóxicos e algumas pessoas não têm o equipamento necessário. Aquela máscara de tecido, muito usada na pandemia, não tem serventia para esse produto, tem que ser um filtro químico. Então esperamos alguns efeitos colaterais desse acidente”, conta.

Uma equipe da Semarh foi deslocada para o local ainda no sábado (07) para avaliação dos riscos e impactos. A determinação é que a população se mantenha afastada do riacho por tempo indeterminado. Nos primeiros dias, ainda não foi registrada mortandade de peixes e também não foi constatado odor no local.

“Manter-se afastado da água do riacho. Os produtos são altamente concentrados, solúveis em água, mantendo a água contaminada ainda. São produtos de pH muito baixo, em torno de 5, 6, o que é praticamente o mesmo pH da água do riacho. Fica muito difícil mensurar por pH, têm que ser feitos outros testes para constatar a presença dos produtos. Outros produtos dos que citei são mais pesados, que se agregam ao sedimento do riacho, não ficam sobrenadando e isso dificulta muito”, afirma.

Com o furto de parte da carga, a recomendação da Semarh é que a população não utilize o produto em roças nem abra as embalagens sem o equipamento necessário. O ideal é que seja realizada a devolução do produto, que só pode ser utilizado com receituário agronômico.

Caso o lacre do produto tenha sido rompido, o portador pode apresentar efeitos a médio prazo, como náuseas e vômitos.

“São produtos para serem utilizados em larga escala na lavoura, em grandes projetos. Então são produtos com resistência muito grande ao calor e às chuvas, então não se degradam facilmente. E ele está na situação de altamente concentrado. Então quando você abre um recipiente desses, você já pode ter a contaminação de vapores no organismo. O ideal seria procurar a Adapi para devolução desse produto”, finaliza.

A Semarh descarta a possibilidade de o produto chegar ao Rio Gurguéia, pois existem três grandes lagoas antes de alcançar o rio. Equipes de limpeza seguem no local para retirar escombros e, posteriormente, recolher o produto para limpeza do solo. A Semarh aguarda o resultado dos testes para mensurar o potencial de contaminação.

Com informações do cidade verde

Foto: divulgação Semarh