A Polícia Federal concluiu, em inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o presidente Jair Bolsonaro (PL) cometeu incitação ao crime ao repassar informações falsas sobre a vacina contra a Covid-19, associando-a ao HIV, e por ter relacionado falsamente a gripe espanhola à pneumonia. Além disso, o presidente teria estimulado a população a não usar máscaras, medida que, à época, era obrigatória na maioria das unidades da Federação.
O inquérito apurou as falas do presidente durante uma transmissão ao vivo em 21 de outubro — vídeo que foi retirado do ar dias depois. Na ocasião, Bolsonaro associou a vacinação da Covid a um risco maior de contrair o HIV, vírus causador da Aids, o que é uma informação cientificamente falsa.
Segundo a PF, além desta associação, o presidente promoveu a desinformação de que "as vítimas da gripe espanhola, na verdade teriam morrido em decorrência de pneumonia bacteriana, causada pelo uso de máscara".
No documento, a PF ainda aponta que, mesmo notificado para prestar depoimento no âmbito do inquérito, Bolsonaro não compareceu às oitivas. O relatório foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal chegou a pedir autorização de Moraes e do STF para indiciar Bolsonaro, mas como não obteve resposta, finalizou o relatório apenas sugerindo o indiciamento, mas sem efetivá-lo.
Além do crime, Bolsonaro teria cometido contravenção penal por, supostamente, provocar alarme "anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto".
Como não tem foro privilegiado, o ajudante de ordens Mauro Cid, que auxilia o presidente a produzir o material para as lives, foi indiciado pelo crime e pela contravenção penal. A conclusão da PF é que ele também cometeu os mesmos atos que o chefe.
Pelo inquérito, Bolsonaro teria "de forma direta, voluntária e consciente, disseminado as desinformações produzidas por Mauro Cid, causando verdadeiro potencial de provocar alarma junto aos expectadores ao propagar a desinformação".
O inquérito segue, agora, para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, ao deixar a Presidência, Bolsonaro perde o foro privilegiado e o caso pode ir para a primeira instância. A reportagem acionou o Palácio do Planalto, mas não obteve resposta até a última atualização.
O Ministério da Saúde decidiu por ampliar o uso da vacina da Pfizer contra a Covid-19 para todos os bebês e crianças entre 6 meses e 4 anos e 11 meses. Essa nova recomendação saiu em uma nota técnica que foi assinada em 23 de dezembro pela coordenação do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Até então, o governo federal havia distribuído as primeiras doses da “Pfizer Baby” somente para as crianças de 6 meses a 2 anos e 11 meses que tivessem alguma comorbidade.
Tal imunizante foi aprovado pela Anvisa no mês de setembro para todas as crianças com idade entre 6 meses e 4 anos e 11 meses, sem a restrição de aplicação.
Devido a essa atualização, o uso dessa vacina vai ser ampliado no Brasil.
De acordo com informações do “g1”, o assunto foi analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que deu parecer a favor para a vacina contra a doença pandêmica para todas as crianças de 6 meses a 4 anos, com ou sem comorbidades, no início do mês de dezembro.
Post sobre o assunto. (Reprodução/Twitter @AmazoniaSeguros)
Vacinação escalonada
Segundo a nova recomendação do Ministério da Saúde, essa ampliação da “Pfizer Baby” deve acontecer de forma gradual, dando prioridade para crianças com comorbidades.
No caso das crianças que não têm comorbidades, a vacina deve ser aplicada de acordo com a faixa etária, na seguinte ordem:
crianças de 6 meses a menores de 1 ano; crianças de 1 a 2 anos; crianças com 3 anos crianças com 4 anos.
O documento diz: “Considerando o quantitativo de vacinas existentes, recomenda-se que todos os esforços sejam envidados para que seja garantida inicialmente a vacinação de crianças com comorbidades e a inclusão paulatina dos demais grupos etários, de acordo com a disponibilidade de vacinas nos estados, Distrito Federal e municípios, e que a vacinação vá avançando à medida que houver disponibilização de vacinas pelo Ministério da Saúde”.
Aquelas crianças, de 3 e 4 anos de idade, que receberam a primeira dose da Coronavac devem completar seu esquema vacinal (segunda dose) com a Coronavac, e não com a Pfizer Baby.
Além disso, o Ministério da Saúde fez mudanças na recomendação do intervalo de aplicação das três doses do imunizante Pfizer Baby.
O PNI, a partir de agora, orienta que as duas primeiras doses sejam aplicadas com um intervalo de quatro semanas e não de três, como é proposto pelo laboratório fabricante da vacina. No caso da terceira dose do imunizante, esta deve ser aplicada pelo menos oito semanas depois da segunda.
De acordo com o governo, “questões operacionais da vacinação” são a justificativa por trás da mudança. Conforme o “g1”, a vacina da Pfizer destinada a crianças de 6 meses a 4 anos tem a tampa de seu frasco com a cor vinho, diferente de outros imunizantes do laboratório. O imunizante da Pfizer para as crianças de 5 a 11 anos tem tampa de cor laranja. A vacina aplicada a partir dos 12 anos tem frasco com a cor roxa.
Foto: Reprodução/Adilson Silveira/Prefeitura de Limeira.
Cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão, número que equivale a 11,5 milhões de casos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). O país perde apenas para os Estados Unidos entre os países da América Latina. O transtorno mental, no entanto, pode apresentar diferentes sintomas, variando de pessoa para pessoa e, é claro, da intensidade da doença em cada um.
De acordo com o Dr. Ariel Lipman, médico psiquiatra e diretor da SIG Residência Terapêutica diversos tipos de depressão e, além disso, cada pessoa reage de uma forma diferente, ou seja, os sintomas mudam. “Tristeza, desânimo, irritabilidade, angústia e ansiedade são os sintomas mais comuns”, mas vai muito além disso. Até mesmo dores físicas podem ser um sinal de alerta”, comenta o profissional.
Pensando nisso, o profissional falou um pouco sobre alguns dos sintomas menos comuns de depressão que podem aparecer. Confira:
Alteração no sono e apetite De acordo com o Dr. Ariel, é comum que uma pessoa com depressão durma muito, mas muitas pessoas que convivem com a doença também podem ter insônia. “As alterações no sono, seja porque a pessoa dorme muito ou não consegue dormir, devem ser investigadas por um especialista, pois é algo que muita gente julga ser comum, mas na verdade pode ser um sintoma do transtorno”, afirma ele.
Ainda segundo o especialista, o mesmo pode ocorrer com o apetite, que quando aumenta ou diminui demais também merecem atenção. “Muitas das pessoas que têm depressão também sofre com ansiedade, que está diretamente ligada com o apetite”, completa ele.
Mudança de peso
Com a possível alteração no apetite, o peso também sofrerá mudanças. “Se a pessoa passou a comer muito mais, notará que pode ter engordado e se ela passou a comer menos, pode emagrecer. É uma lógica, mas muitas pessoas podem não notar que deixou de comer ou aumentou a quantidade de alimentos e só reparam quando notam a diferença no espelho, nas roupas e na balança”, explica o médico.
Além disso, quem tem depressão deixa de praticar algumas atividades, incluindo exercícios físicos, contribuindo para essa mudança de peso.
Baixa imunidade
Muitos são os motivos que levam os depressivos a diminuírem a imunidade. “Isso pode ocorrer porque a liberação de hormônios é afetada com a doença, acarretando na queda de imunidade e consequentemente outras doenças, como infecções”, comenta o especialista.
É importante lembrar também que alterações no sono e até mesmo uma alimentação inadequada podem afetar a imunidade, ou seja, um sintoma acaba levando a outro.
Diminuição da libido
A libido está relacionada com a autoestima, que é muito afetada durante a depressão e, por isso, acaba sendo comum nessas pessoas, que muitas vezes podem nem ligar uma coisa à outra.
“Alguns medicamentos antidepressivos usados para controlar o transtorno mental também podem afetar a libido e é por isso que é importante sempre avisar o médico sobre as intercorrencias”, afirma o psiquiatra.
Dores frequentes
Além do fato dos problemas de saúde que a depressão pode acarretar, gerando problemas de saúde que causam dor, a doença também promove alterações fisiológicas que levam a sensação de dor.
“E como é de conhecimento da maioria das pessoas, o humor é muito afetado durante a doença, o que faz com que o depressivo sinta dores com mais intensidade!, explica. “Além disso, a pessoa com depressão transforma muitos problemas mentais em dores físicas, mais conhecido como somatizaão”.
É sempre importante lembrar que a depressão aparece com sintomas e intensidade diferentes em cada pessoa e nenhum sinal deve ser ignorado.
Sentir uma vontade irresistível de dormir durante o dia e enfrentar pequenos ataques de sono ao realizar as atividades diurnas pode ser um sinal de sonolência excessiva. A situação, além de incômoda, pode trazer danos à saúde.
Lidar com o sono após dormir mal ou pouco na noite anterior, próximo ao horário de dormir e depois do almoço, por exemplo, são situações comuns. Porém, quando a sonolência passa a atrapalhar a rotina, deve se tornar uma preocupação.
"Quando começa a atrapalhar o dia, quando a pressão do sono — vontade de dormir — é irresistível durante a vigília [período diurno] e você acaba não conseguindo se manter acordado, é excessivo", explica o biomédico Guilherme Luiz Fernandes, pesquisador do Instituto do Sono.
Essa interferência no cotidiano é o principal sinal de que a sonolência atingiu níveis excessivos. Se isso se repetir por mais de três vezes na semana também é um alerta. Segundo o Episono (Estudo Epidemiológico do Sono), apenas em São Paulo, 9% da população sente sonolência durante as atividades diurnas.
Uma das possíveis causas para isso é o cronotipo, que é a preferência de um indivíduo por determinados horários.
"Se, por acaso, você é uma pessoa que gosta de dormir e acordar mais cedo e tem que trabalhar, estudar, fazer qualquer outra coisa no horário diferente do seu ideal, isso pode acarretar sonolência excessiva", diz Fernandes.
Os distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva do sono, além de atuarem como um fator de risco para diversas condições, estão ligados à sonolência diurna.
Pessoas com transtorno psicológico diagnosticado, como depressão, têm como sintomatologia a sonolência. Segundo o biomédico, "ela dorme muito e ainda continua sonolenta durante o dia".
No entanto, de forma geral, independentemente da causa, a sonolência diurna excessiva pode agravar a saúde e merece um cuidado especial.
"[Pode afetar] seu desempenho no trabalho e no estudo. Ela vai atingir sua memória, por exemplo, sua capacidade de concentração em uma atividade que, talvez, seja monótona. Isso tudo vai prejudicando o seu rendimento", relata Fernandes. Funcionários que operam máquinas, trabalhadores da área da saúde com carga horária estendida durante a noite e aqueles que trabalham por turno, por exemplo, lidam com horários diferentes e podem enfrentar uma queda na produtividade, na eficiência e na retenção de informação em decorrência do excesso de sono no dia.
Para os estudantes, essa sonolência pode prejudicar o desempenho em testes.
Segundo o pesquisador do Instituto do Sono, há estudos que relacionam a sonolência diurna ao aumento do risco de declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Uma pesquisa publicada no periódico Sleep, em 2018, mostrou que adultos com sonolência diurna excessiva tinham quase três vezes mais risco de ter acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro, proteína associada à doença de Alzheimer.
Essa condição também facilita a incidência de acidentes no trânsito. De acordo com dados da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), o sono é uma das principais condições de saúde responsáveis por acidentes de trânsito nas rodovias do Brasil. Prevenção
Para evitar todas essas situações, exceto os distúrbios do sono e os transtornos psicológicos, que necessitam de cuidados especiais, manter uma boa higiene do sono é fundamental.
"Tentar dormir e acordar em horários similares todas as noites, tentar sempre dormir o suficiente — então, se a pessoa tem uma necessidade de dormir por oito horas, que ela durma as oito horas", exemplifica o biomédico.
E acrescenta: "Não utilizar celular antes de dormir, porque a luz dele, principalmente a azul, tem um efeito inibidor no hormônio promotor do sono, a melatonina. Evitar atividades físicas excessivas perto do horário de dormir, refeições muito pesadas próximas ao horário de dormir e usar a cama apenas para dormir e para sexo".
O ideal também seria deitar na cama tendo apenas em mente a vontade de pegar no sono, ou seja, não carregar preocupações nem pensar nas tarefas do próximo dia quando estiver deitado. O ambiente, por sua vez, deve ser silencioso e escuro.
Para as pessoas que têm dúvida se enfrentam uma sonolência diurna excessiva ou não, a escala de sonolência de Epworth pode ser uma aliada. A ferramenta determina o grau de sonolência durante o dia de acordo com a probabilidade de aquele indivíduo adormecer em oito situações cotidianas, como sentado no carro em um trânsito.
Porém, o resultado deve ser interpretado por um profissional médico, para entender o contexto da sonolência e avaliar o restante do quadro clínico.
"Dormir é uma parte integral do nosso funcionamento como seres humanos, é uma parte essencial da nossa saúde, então é necessário prestar atenção ao sono", finaliza Fernandes.