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O número de mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC) bateu 85.427 no Brasil no ano passado — e, segundo especialistas, um dos vilões mais perigosos está no dia a dia de muita gente. O neurocirurgião vascular Victor Hugo Espíndola Ala afirma com clareza: fumar “é, de longe, o pior hábito de vida que alguém pode manter” quando se trata de risco de AVC.

Para o médico, o cigarro causa uma inflamação constante nas artérias, danificando seu revestimento interno e tornando o sangue mais espesso — combinação perfeita para a formação de coágulos e, consequentemente, de um AVC isquêmico. Ele ressalta ainda que o processo de endurecimento das artérias, que normalmente surge com o tempo, costuma aparecer muito mais cedo em quem fuma, e que “até quem fuma pouco já carrega um risco aumentado”.

Mas há uma boa notícia: deixar o cigarro pode trazer alívio aos vasos sanguíneos quase de forma imediata. O corpo começa a se recuperar e os riscos diminuem. Quanto mais cedo a pessoa abandonar o tabagismo, melhor.

Jetts Entretenimento/msn

Postagens que ironizam o comportamento dos jovens da geração Z têm se acumulado nas redes sociais, conforme essa faixa, formada por quem nasceu entre 1997 e 2010, tem chegado à idade adulta e ingressado no mercado de trabalho. Não é incomum que a convivência com indivíduos de outras faixas etárias leve a um choque geracional.

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Mas a geração Z, que no Brasil soma 48,8 milhões de pessoas (23,2% da população), também cresceu em meio a instabilidades políticas, econômicas e sociais. Em 2008, o Brasil enfrentou uma recessão, em 2013 os protestos de junho alteraram as forças políticas no poder, culminando com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Depois, veio a pandemia de covid-19, somada à inflação.

Para a pesquisadora da FGV Social, Janaína Feijó, "essa geração tem sim uma dificuldade adicional na hora de adquirir bens e serviços, que são uma medida da qualidade de vida do indivíduo". Ela explica que nas últimas décadas o reajuste nos salários não acompanhou a alta no custo de vida.

Autenticidade e fluidez Essas condições desfavoráveis contribuíram para moldar o comportamento dessa geração que é menos idealista e mais cautelosa em relação ao consumo. A consultoria McKinsey avaliou o comportamento da geração Z e aponta que esse grupo associa compra a uma expressão da própria autenticidade e valores pessoais. Esse grupo valoriza a fluidez, inclusive de gênero e crença, ao contrário das gerações anteriores.

Assim, compromissos de longo prazo, como a compra de imóvel ou a formação de uma família, são adiados tanto por conta das preferências pessoais quanto por causa de condições econômicas. "A geração Z busca por mais experiências, não necessariamente por manter ativos e eventualmente patrimônio, tal qual uma geração de 30, 40 anos atrás, que almejava conseguir a casa própria e um emprego com estabilidade", afirma o sócio da consultoria Delloite, Marcos Olliver.

O levantamento anual da Deloitte demonstrou as principais preocupações da geração Z no Brasil: custo de vida (34%), desemprego (25%), mudança climática (24%), saúde mental (22%) e segurança e criminalidade (18%).

Percepção do passado Quando estavam na juventude, os integrantes das gerações X (1965 a 1980) e Y (1981 a 1996) também enfrentaram dificuldades: hiperinflação , confisco de poupança, mudança do regime da ditadura militar para a democracia, além de guerras e conflitos. No entanto, os jovens de hoje idealizam esse passado quando comparam com sua própria realidade.

No entanto, essa impressão ignora avanços dos quais os jovens atualmente usufruem: o nível de desemprego é o menor da série histórica (5,6%, segundo o IBGE) e a qualificação se tornou mais acessível (um terço dos alunos que terminam o ensino médio vão para a graduação). Houve ainda o aumento na proporção de mulheres e pessoas negras nas universidades e nas carreiras.

"Mas tudo isso fez com que a concorrência também aumentasse, e o jovem sentiu a pressão por se destacar", pondera Feijó. "Os jovens precisam ter habilidade socioemocionais exigidas pelos empregadores, mas por não ter experiência, não conseguem ter todos esses atributos e não conseguem entrar no mercado de trabalho de forma efetiva."

Saúde mental O estilo de vida também contribui para a sensação de piora nas condições gerais. Nos últimos 10 anos, o consumo de ultraprocessados aumentou 5,5% entre a população brasileira, segundo a Universidade de São Paulo (USP), 84% dos jovens são sedentários (IBGE) e 66% dos brasileiros têm dificuldade para dormir, de acordo com pesquisa publicada na revista Sleep Epidemiology. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que até 21% dos jovens de 13 a 29 anos se sentem solitários com frequência.

"Perdeu-se o convívio em espaços reais e as práticas coletivas, tínhamos vizinhanças mais ativas que ofereciam de diferentes formas uma rede de apoio mais sólida e com contornos mais delimitados", ressalta a psicóloga e professora da USP, Ana Barros. Ela diz que a soma desses fatores leva à deterioração da saúde mental.

Cerca de 40% das mulheres e 29% dos homens da geração Z afirmaram sofrer de depressão em 2024, entre os integrantes da geração X essa proporção foi de 32% e 25%, respectivamente, e na Y, de 38% e 31%. Os dados sobre brasileiros são da pesquisa World Mental Health Day, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Impacto das redes sociais O comprometimento do senso de comunidade também está relacionado ao uso das redes sociais. Enquanto nativa digital, a geração Z cresceu seguindo o ritmo dessas plataformas, que favorecem as conexões virtuais e o isolamento, e comprometem o desenvolvimento de habilidades sociais dos jovens enquanto amadurecem.

"A tecnologia mudou completamente as relações sociais, a forma como experimentamos e construímos nossa subjetividade e o contato com o outro. Hoje a subjetivação é feita na lógica da visibilidade e espelhamento imediatos", afirma a psicóloga Ana Barros. "Isso gera uma necessidade de validação externa muito instantânea, com uma pressão constante por corresponder a padrões e expectativas que levam a sentimentos de muita angústia e sensação de inadequação."

Busca por bem-estar Apesar da piora de indicadores, o consultor Marcos Olliver aponta que a saúde mental se tornou uma prioridade, o que avalia como positivo. "Para as outras gerações, não havia tanto a preocupação com a questão de qualidade de vida ou de bem-estar". Cerca de 13% dos brasileiros fazem terapia e 15% tomam remédios para tratar questões psiquiátricas, aponta pesquisa da Vida LinkedIn. Para 41,6%, saúde mental é uma das prioridades.

Barros afirma que esse movimento é um ponto de virada importante. "Isso indica que apesar das pressões inéditas que os jovens enfrentam, eles também desenvolvem estratégias próprias da sua época, como o próprio uso das redes sociais para formar comunidades virtuais e compartilhar o que sentem."

Em nome desse bem-estar, eles priorizam a vida privada em relação ao trabalho, e estão menos dispostos a se submeter a condições exaustivas: 56,2% dos jovens almejam vagas com possibilidade de trabalho remoto e horários flexíveis, de acordo com levantamento da Infojobs. Outros 71,6% disseram que deixariam os cargos se o ambiente fosse tóxico ou o trabalho estiver desalinhado com seus valores.

A classificação em gerações não é um consenso científico. Uma vez que foca nas diferenças e não nas convergências entre gerações, essas categorias fomentam a ideia de que há um choque entre elas, e servem de material para memes, além de refletir o pensamento de uma classe média alta, e não do grupo como um todo.

Feijó assinala que pessoas com níveis de renda e educação diferentes, têm comportamentos distintos, mesmo dentro da mesma geração.

"Geralmente, a população preta e parda tem esses sonhos materiais muito mais latentes do que a classe mais de renda mais elevada, composta majoritariamente por brancos ou amarelos. Por isso, o sonho da casa própria ainda é comum entre os mais pobres, enquanto os mais ricos já conseguem vislumbrar outras oportunidades, como ter um negócio e investir. Então, os sonhos são diferentes, mas os desafios permanecem."

G1

Foto: Freepik

A esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado, já atinge cerca de 30% dos brasileiros — aproximadamente 1 em cada 3 pessoas — segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH). Mesmo tão prevalente, muitos ainda desconhecem quais exames detectam a condição, o que faz com que o diagnóstico seja tardio em grande parte dos casos. Esse atraso favorece a evolução para quadros mais graves, como cirrose, câncer hepático e até necessidade de transplante.

O cenário se agrava pelo caráter silencioso da doença. Nos estágios iniciais, a gordura se acumula no fígado sem provocar sintomas evidentes. Na maioria das vezes, o comprometimento só é percebido quando surgem sinais como cansaço excessivo, fraqueza ou dor abdominal, indicadores de que o órgão já pode estar em um estágio mais avançado da doença.

Da gordura à cirrose: como a doença evolui O acúmulo de gordura no fígado acontece de forma gradual e silenciosa. Sem diagnóstico precoce, pode haver progressão para inflamação, fibrose, cirrose e até câncer hepático. Trata-se de um processo contínuo, que pode ser evitado com acompanhamento regular e intervenções no momento certo.

A prevalência da doença está diretamente ligada ao aumento do excesso de peso no país. Uma pesquisa da Novo Nordisk, em parceria com o Instituto Datafolha, apontou que 66% dos brasileiros têm sobrepeso ou obesidade. Entre pessoas com diabetes tipo 2, o índice de esteatose chega a 70% quando avaliadas por ultrassom.

O estilo de vida é um fator central nesse cenário. Sedentarismo, dieta rica em ultraprocessados e descontrole glicêmico criam um ambiente propício para o acúmulo de gordura hepática.

Diagnóstico e tratamento da gordura no fígado O ultrassom abdominal é o exame mais acessível e frequentemente utilizado para identificar a esteatose hepática, sendo recomendado especialmente para pessoas com fatores de risco. Em estágios iniciais, a doença é reversível, e as mudanças no estilo de vida têm papel decisivo na recuperação do fígado. Uma perda de 5% a 10% do peso corporal já é suficiente para promover melhorias importantes na função hepática. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do diabetes e redução do consumo de ultraprocessados são pilares fundamentais no tratamento.

A prevenção é a estratégia mais eficaz. Manter exames de rotina em dia permite detectar a condição antes que cause danos irreversíveis ao fígado, reduzindo riscos e melhorando o prognóstico.

Minha Vida

Em entrevista exclusiva ao Feed TV, o neurocirurgião Dr. Fernando Gomes esclareceu dúvidas fundamentais sobre o envelhecimento cerebral, destacando que nem toda perda cognitiva é definitiva e que hábitos simples podem proteger o cérebro. Veja entrevista completa no canal do Youtube.

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Com o aumento da expectativa de vida, a preocupação com a saúde mental na terceira idade torna-se prioridade. No entanto, o médico ressalta a importância de distinguir o Alzheimer de outros quadros. “No Brasil, a gente sabe que existem cerca de 1.200.000 pessoas que convivem com a doença de Alzheimer, que acaba sendo responsável por mais de 50% da manifestação clínica”, explica Gomes.

Nem tudo é Alzheimer: a demência reversível

Um dos pontos mais chamativos da entrevista foi o alerta para diagnósticos que podem ser confundidos. Além da demência vascular (causada por pequenos derrames) e outras formas como a frontotemporal, existe uma condição específica que merece atenção por ser tratável: a hidrocefalia de pressão normal.

“A hidrocefalia de pressão normal é reversível com a realização de uma neurocirurgia, a colocação de uma válvula que tira esse excesso de líquido da cavidade intracraniana”, detalha o neurocirurgião. Ele adverte que, infelizmente, muitos pacientes com essa condição ainda recebem diagnósticos errados de Parkinson ou Alzheimer por desconhecimento, perdendo a chance de reverter o quadro.

A construção da “Reserva Cognitiva”

Sobre a prevenção, o Dr. Fernando Gomes explica que, embora exista um componente genético — especialmente em casos precoces (abaixo dos 55 anos) —, o estilo de vida tem peso decisivo. O cuidado começa cedo, com a educação na infância, que aumenta a conectividade cerebral, criando caminhos alternativos para o pensamento caso a doença se manifeste.

Na vida adulta, a atenção aos sentidos é crucial. O médico cita a resistência ao uso de aparelhos auditivos como um fator de risco ignorado: “Isso é algo que, se diagnosticado e tratado precocemente, você permite que o cérebro continue recebendo informações e isso pode abrandar até mesmo a manifestação clínica lá na frente”.

Alimentação e o perigo do álcool

Questionado sobre o papel da dieta, o especialista foi categórico ao recomendar o equilíbrio e evitar alimentos inflamatórios, como excesso de açúcar e gorduras animais. “Uma alimentação muito parecida com a dieta do Mediterrâneo hoje em dia já se provou como benéfica”, afirma, citando o consumo de peixes ricos em ômega-3, legumes e verduras.

Por outro lado, o consumo prolongado de álcool foi apontado como um vilão direto para a saúde dos neurônios, indo além das questões comportamentais.

Sono e exercícios: a “faxina” cerebral

Para finalizar, o Dr. Fernando reforçou dois pilares essenciais: o sono reparador e a atividade física. Segundo ele, “o sono não é uma perda de tempo”, pois é durante esse período que o cérebro elimina neurotoxinas.

Já os exercícios, especialmente os de força para membros inferiores, liberam substâncias neurotróficas, como a irisina, que estimulam novos circuitos neurais. “O estilo de vida cria uma poupança de saúde para abrandar caso a doença infelizmente se manifeste, mas também ela freia a sua própria evolução”, conclui o médico.

Feed TV - Saúde|Do R7

(Foto: Freepik)