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O Ministério da Saúde disse nesta quinta-feira (3) que as crianças, pelo menos por enquanto, não estão previstas na estratégia de vacinação contra a Covid-19. O motivo principal, além de elas não fazerem parte do grupo de risco da doença, é a falta de estudos dos imunizantes para a faixa etária.

"Nenhum país do mundo tem estudos que mostrem a utilização de vacinação na faixa etária pediátrica. Até onde eu saiba, a gente não viu nenhum trabalho que mostre [a vacinação em crianças] ou nenhuma desenvolvedora que tenha colocado [uma vacina] na fase 3 nessa faixa etária. Nós não temos dados em relação a essa questão", disse Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde.

Nesta terça-feira (1º), o ministério divulgou um plano estratégico para a vacinação contra a Covid-19. De acordo com a pasta, serão quatro etapas.

Veja abaixo os principais pontos da estratégia preliminar:

Primeira fase: trabalhadores da saúde, população idosa a partir dos 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas) e população indígena.


Segunda fase: pessoas de 60 a 74 anos.
Terceira fase: pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da Covid-19 (como pacientes com doenças renais crônicas e cardiovasculares).


Quarta fase: professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade.
Inicialmente, o governo disse que a primeira entrega da vacina da Universidade de Oxford e da AstraZeneca, que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adquiriu a tecnologia, deverá ser de 15 milhões de doses. Esse número cobrirá, segundo o ministério, a primeira fase do cronograma.

Ainda restariam três fases, que deverão ser complementadas em seguida com novas vacinas aprovadas e/ou maior produção das que já estão licenciadas. No entanto, após a quarta fase, o ministério disse que não terá como vacinar as crianças. Isso ocorre porque nenhuma das vacinas mais avançadas, em fase 3 de estudos, fizeram testes em pessoas com menos de 16 anos. No caso da vacina de Oxford, apenas pessoas com mais de 18 anos foram imunizadas durante os estudos.

Carla Domingues, especialista que já trabalhou na coordenação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), avalia que "crianças e adolescentes não serão vacinados tão cedo".

"Não foram feitos estudos clínicos nesta população. Vamos ter que aguardar a continuidade dos estudos. Até por que esta não é uma população que está com mais risco, é a população menos afetada. Isso é a política do Ministério da Saúde e do mundo todo", disse.

Domingues traz como exemplo similar, neste sentido, uma das vacinas pneumocócicas conjugadas - contra pneumonia, meningite, otite - aprovada pelo ministério e que só foi liberada para crianças de até 5 anos de idade, devido aos estudos científicos feitos nessa faixa etária. A vacina da gripe também passou por processo semelhante.

“Com todas as vacinas acontece isso. No caso da gripe, nós começamos a vacinar na década de 90 só o paciente idoso. E com o tempo fomos incluindo mais faixas etárias, mas a gente até hoje não vacina 100% da população. A vacinação é sempre pensando no coletivo, em quem está tendo mais risco”, complementou.

 

G1

 

vcnijanaeiroPara imunizar toda a população acima de 18 anos contra a covid-19, o Brasil teria que ter à disposição pelo menos 161 milhões de doses de um imunizante que fosse em aplicação única.

Ocorre que a maioria das candidatas requer duas doses. No caso da vacina de Oxford/AstraZeneca, que foi comprada pelo governo brasileiro, é possível que o esquema recomendado seja meia dose seguida de um reforço com dose completa no intervalo de 28 dias.

Dessa forma, em um cenário hipotético, o país precisaria de 241,5 milhões de doses se usasse apenas o imunizante de Oxford.

Em duas aplicações, seriam necessárias 322 milhões de doses para vacinar os cerca de 161 milhões de brasileiros com mais de 18 anos.

Pelos cálculos do Ministério da Saúde, o país deve ter até 260 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca.

Segundo o ministro Eduardo Pazuello, 100 milhões serão importadas até junho de 2021. Em seguida, a Fiocruz será capaz de produzir até 160 milhões de doses até dezembro.

Além disso, o Brasil terá acesso a 42 milhões de doses de uma ou mais das dez vacinas que fazem parte do Covax Facility, consórcio para aquisição de imunizantes encabeçado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Se o cronograma se cumprir, é possível, então, que haja vacina suficiente para a maioria dos brasileiros, embora o ministério tenha dito na semana passada que não planeja imunizar toda a população.

Como razão para isso, a pasta alegou que os testes das vacinas não incluem crianças e gestantes, por exemplo, o que impossibilitaria a vacinação em massa.

Prioridades
As primeiras 15 milhões de doses da vacina de Oxford chegarão ao Brasil em janeiro, segundo Pazuello. Mantido o esquema vacinal de 1,5 dose por pessoa, podem imunizar 45 milhões de brasileiros — o equivalente a toda a população do estado de São Paulo.

O governo apresentou na segunda-feira (1º) um esboço de quais grupos devem ter prioridade na vacinação pelo SUS.

A primeira fase será para trabalhadores da saúde, idosos acima de 75 anos, idosos acima de 60 anos que vivem em casas de repouso ou instituições psiquiátricas e indígenas. Em seguida, serão idosos de 60 a 74 anos.

A fase 3 inclui pessoas com comorbidades, como doenças crônicas. Na sequência, professores, trabalhadores de forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e detentos.

 

R7

Foto: Divulgação/Oxford University

coronavaccO Instituto Butantan recebeu na madrugada desta quinta-feira 600 litros, ou o equivalente a 1 milhão de doses da CoronaVac, potencial vacina contra covid-19 da chinesa Sinovac que está sendo testada no Brasil pela instituição.

A carga com a vacina a granel, que será envasada e rotulada em uma fábrica do Butantan, chegou no aeroporto de Guarulhos e é a segunda remessa da CoronaVac a chegar ao país, após as 120 mil doses prontas da vacina que vieram da China no dia 19 de novembro.


"Até o final deste mês de dezembro estaremos recebendo aqui no aeroporto de Guarulhos mais 6 milhões de doses da vacina", disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). "E no próximo mês de janeiro, até o dia 15 de janeiro, mais 40 milhões de doses da vacina", acrescentou.

O Butantan deverá levar entre quatro e sete dias para envasar e rotular esse primeiro lote da vacina a granel, num processo que envolverá 40 funcionários da instituição, que é vinculada ao governo do Estado de São Paulo.

O acordo entre Butantan e Sinovac prevê inicialmente o envio, no total, de 6 milhões de doses prontas da vacina e de 40 milhões a granel, que serão rotuladas e envasadas pelo Butantan.

A CoronaVac ainda não tem dados sobre sua eficácia conhecida, e a expectativa do Butantan é que a eficiência do imunizantes seja anunciada até o dia 15 deste mês, após os testes clínicos em Fase 3, o último antes do pedido de registro junto às autoridades regulatórias, atingirem o número mínimo de voluntários infectados para analisar a eficácia.

De acordo com dados já disponíveis de etapas anteriores dos ensaios clínicos, o Butantan e a Sinovac afirmam que a candidata a vacina se mostrou segura e induziu resposta imune em 97% dos voluntários. A eficácia, no entanto, só pode ser medida após um mínimo de voluntários dos testes contraírem Covid-19 para que seja feita uma análise de quantos desses voluntários receberam a vacina e quantos receberam um placebo.

Como a eficácia da vacina após os testes em Fase 3 ainda não é conhecida, não existe pedido de registro da CoronaVac junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Reuters

Foto: Wu Hong/EFE/EPA

A OMS (Organização Mundial de Saúde) informou nesta quarta-feira (2) que recebeu dados da vacina contra covid-19 desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech e a está analisando para "possível listagem para uso emergencial", um marco para que países autorizem a aplicação em âmbito nacional.


Em uma referência à Agência Regulatória de Medicamentos e Saúde do Reino Unido (MHRA), que mais cedo aprovou a vacina Pfizer/BioNTech, a agência da ONU afirmou em comunicado à Reuters: "A OMS também está em discussões com a MHRA sobre a possibilidade de acessar algumas das informações da avaliação que fizeram, o que aceleraria a listagem emergencial pela OMS".

O Reino Unido aprovou a vacina contra a covid-19 da Pfizer em parceria com a BioNTech, saindo na frente dos Estados Unidos e da União Europeia para se tornar o primeiro país ocidental a formalmente endossar um imunizante, que o governo britânico disse que começará a chegar para os mais vulneráveis na semana que vem.

 

Reuters