O Instituto Butantan confirmou, nesta terça-feira (1º), a possibilidade de entregar, imediatamente, 10 milhões de doses da CoronaVac para avançar na vacinação de crianças e adolescentes contra a Covid-19. A novidade faz parte da resposta da fundação ao Ministério da Saúde, que enviou um ofício pedindo o montante do imunizante para aquisição federal. Antes do envio, o governo federal e o Butantan precisam firmar o novo acordo para a incorporação da remessa ao PNI (Programa Nacional de Imunizações).
"No ofício, o Butantan oferece o quantitativo de imunizante já envasado e certificado pelo rigoroso controle de qualidade do instituto, além de 20 milhões de doses adicionais para entrega de 20 a 25 dias, mediante assinatura do contrato", detalha a nota do Butantan. A demanda por 10 milhões de doses solicitadas pelo Ministério da Saúde foi calculada a partir de um levantamento feito junto aos estados e ao Distrito Federal a fim de avaliar o quantitativo necessário da CoronaVac.
Desde que o imunizante foi liberado para aplicação em crianças e adolescentes, a pasta distribuiu 3,3 milhões de doses que estavam em estoque aos entes que não tinham a própria reserva. As vacinas já entregues fazem parte do acordo anterior, em que o Butantan forneceu 100 milhões de doses ao PNI.
Além do novo quantitativo ofertado ao ministério, o Butantan destaca ter "total capacidade de atender a qualquer outra demanda de CoronaVac". O instituto afirma ter capacidade de produzir 1 milhão de doses por dia e que é possível fechar contratos diretamente com os estados. É o caso de São Paulo, que iniciou a campanha vacinal infantil com a CoronaVac assim que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso para a faixa etária de 6 a 17 anos. O estado tem 8 milhões de doses para o público.
E se aquela cervejinha despretensiosa que você bebe fizesse aumentar seu risco de contrair covid-19? Um novo estudo feito na China analisou dados de saúde de quase 500.000 pessoas do Reino Unido e descobriu que os indivíduos que bebiam cerveja com frequência tinham uma chance 28% maior de contrair o vírus do que os que não bebiam. Por outro lado, o vinho representou um efeito contrário. Os indivíduos que bebiam de um a dois copos de vinho tinto por dia tinham um risco 10 a 17% menor de contrair a doença do que os não bebedores.
O estudo, publicado na revista Frontiers in Nutrition , foi conduzido por uma equipe de pesquisadores do Hospital Shenzhen Kangning. Eles queriam analisar possíveis ligações entre o consumo de álcool e as taxas de infecção e mortalidade por covid.
Foram analisados os dados do UK Biobank Study, um projeto de pesquisa abrangente que coleta informações sobre saúde e estilo de vida de voluntários no Reino Unido desde 2006.
Depois da análise, os pesquisadores descobriram que não havia diferença significativa nas taxas de mortalidade por covid entre os indivíduos que bebiam e os que se abstinham. Mas as diferenças nas taxas de infecção foram dignas de nota.
Além das taxas mais baixas para bebedores de vinho e taxas mais altas para bebedores de cerveja, a equipe descobriu que as pessoas que bebiam cinco ou mais bebidas alcoólicas por semana tinham um risco maior de infecção. E o consumo pesado de qualquer álcool também aumentou o risco. Mas é preciso olhar com cautela esses resultados…
Um estudo como este analisa a correlação, não a causa, por isso não está claro por que os bebedores de vinho tinto tiveram uma taxa de infecção mais baixa.
Pode ser que outros fatores estejam em jogo: os bebedores de vinho tinto podem ter menos probabilidade de sofrer outros riscos de covid-19; eles podem se exercitar mais ou ter uma nutrição melhor; ou eles podem ser mais propensos a serem vacinados.
Mas os autores acreditam que os resultados específicos do vinho tinto em comparação com outros tipos de álcool sugerem que os compostos que diferenciam o vinho tinto de outras bebidas podem merecer o crédito.
“O vinho tinto oferece benefícios adicionais a outras bebidas alcoólicas provavelmente devido ao seu maior teor de polifenois, diminuindo a pressão arterial, inibindo a oxidação de partículas de lipoproteínas de baixa densidade e outros efeitos favoráveis no estado redox celular, melhorando a função endotelial, inibindo a agregação plaquetária, reduzindo a inflamação e a adesão celular e ativando proteínas que previnem a morte celular”, escreveram eles.
Depois de se espalhar pelo Reino Unido e se tornar dominante na Dinamarca, a subvariante da Ômicron chegou aos Estados Unidos e já está em circulação em quase metade dos estados norte-americanos. Até a última sexta-feira, já existiam 127 casos confirmados no país. Conhecida como BA.2, a subvariante é 1,5 vezes mais transmissível do que a cepa Ômicron original (BA.1), de acordo com cientistas dinamarqueses.
O Centro de Controle de Doenças dos EUA informou, no entanto, que não há evidências de que a linhagem BA.2 seja mais grave do que a linhagem BA.1. Mutações únicas
A variante BA.2 tem cinco mutações únicas em uma parte fundamental da proteína spike que o vírus usa para se ligar às células humanas e invadi-las. Mutações nesta parte do vírus, conhecida como domínio de ligação ao receptor, são frequentemente associadas a uma maior transmissibilidade.
A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido disse na sexta-feira que o BA.2 tem uma vantagem de crescimento “substancial” sobre a Ômicron original e se espalhou rapidamente em todas as regiões da Inglaterra.
No entanto, uma avaliação preliminar descobriu que BA.2 não parece reduzir a eficácia das vacinas mais do que a Ômicron original. Uma dose de reforço foi 70% eficaz na prevenção de doença sintomática de BA.2 duas semanas após receber a injeção, em comparação com 63% de eficácia para a cepa Ômicron original.
As campanhas de vacinação em massa contra a Covid-19 alimentam um fluxo incessante de desinformação por meio da Internet e das redes sociais, boatos que exageram, ou inventam, efeitos colaterais dos imunizantes até transformarem o remédio em algo pior que a doença.
Desde o início das campanhas de vacinação, a farmacovigilância (ramo científico encarregado de detectar os efeitos colaterais dos medicamentos) tem servido de ferramenta para alarmar a opinião pública. Na maioria dos países, quando uma pessoa ou profissionais de saúde detectam efeitos desconhecidos após uma vacinação, podem informá-los às autoridades, e estes registros costumam ser públicos.
Corresponde às autoridades sanitárias determinar se são efeitos colaterais.
Nestes registros, também são incluídos os óbitos. Uma pessoa vacinada ter morrido não significa, contudo, em absoluto, que tenha sido por causa do imunizante. Os efeitos indesejáveis das vacinas contra a Covid-19, como miocardites, pericardites, ou tromboses, têm sido muito raros com base em bilhões de doses aplicadas no mundo todo.
E, apesar disso, as redes sociais têm divulgado uma grande quantidade de mensagens sobre os "milhares de mortos" supostamente causados pelas vacinas. Em geral, capturas de tela com dados destes registros públicos acompanham as mensagens, na tentativa de fazê-las parecer confiáveis.
Segue-se, com frequência, o mesmo método: falsificar os dados de farmacovigilância para assustar o leitor, como fez recentemente a deputada francesa Martine Wonner. Ela citou dados do sistema americano VAERS(sigla em inglês para Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas), que reflete indícios de efeitos suspeitos de estarem vinculados com as vacinas.
Estes dados não revelam, porém, qualquer vínculo de causa e efeito: podem "conter informações incompletas, inexatas, fortuitas, ou inverificáveis", adverte o próprio VAERS em sua página online.
No começo de novembro, em países como Taiwan e Austrália, foi detectado um grande fluxo de informação nas redes sobre mais falecimentos causados pelas vacinas do que pelo coronavírus.
A teoria, segundo a qual as vacinas fragilizam ou mesmo destroem o sistema imunológico, é um clássico antivacina, reciclado agora com a pandemia.
No começo de janeiro, algumas publicações afirmaram, sem apresentar qualquer argumento científico como embasamento, que "pessoas totalmente vacinadas desenvolvem HIV". Esta hipótese tem sido refutada à exaustão pela comunidade científica: as vacinas servem, ao contrário, para reforçar o sistema imunológico.
Outro rumor recorrente nas redes sociais é que a vacinação causa esterilidade. A AFP dedicou vários artigos de checagem a respeito deste tópico, desmentindo esta teoria.
Outro falso perigo: o fármaco causaria mal de Alzheimer. Esta também é outra especulação sem fundamento, escrita por um militante antivacinas.
Quando se começou a falar do método de RNA mensageiro, circulou a teoria de que este tipo de vacina modificaria o genoma humano. O fato: o RNA mensageiro da vacina não chega ao núcleo da célula, onde se encontra o nosso DNA, desmontando esta tese, também sem fundamento.
As estatísticas sobre vacinados, infectados e hospitalizados são distorcidas com frequência, ou retiradas de contexto, para afirmar que as vacinas são inúteis.
Muitas pessoas alegam, por exemplo, com base em números oficiais, que há, na França, mais infectados vacinados que não vacinados em números absolutos. Isto não demonstra, contudo, que as vacinas são inúteis.
Independentemente das estatísticas, é necessário levar em consideração que, na França, mais de 75% da população está imunizada, um índice ainda maior entre certas faixas etárias.
Ao mesmo tempo, como se sabe desde o lançamento das vacinas, elas não previnem totalmente a infecção, nem a transmissão do vírus.
É, portanto, matematicamente inevitável que a proporção de vacinados seja muito elevada entre os infectados.
Em um exemplo teórico, se 100% de uma população está vacinada, 100% dos infectados, ou mesmo hospitalizados (ainda que sejam poucos), também estarão vacinados.
Isto não representa uma informação boa, ou ruim, sobre a vacina. Trata-se de um cálculo bem conhecido pelos estatísticos, conhecido como "paradoxo de Simpson". Desta maneira, é necessário raciocinar em termos de grupos populacionais iguais, e não em números absolutos.
Assim, observa-se que os casos positivos, as hospitalizações e as mortes são "claramente mais importantes para as pessoas não vacinadas do que para as vacinadas em uma população comparável", explica a unidade de estatística do Ministério francês da Saúde.
A chegada da variante Ômicron, muito contagiosa, também alimentou as interpretações equivocadas das estatísticas.
O fato de que, entre as pessoas que testam positivo para covid-19, as vacinadas são majoritariamente infectadas com a variante ômicron, levou alguns a concluírem que as vacinas aumentam o risco de contágio.
Na realidade, se a ômicron predomina entre os vacinados, é porque as vacinas são menos eficazes contra a ômicron do que contra a delta. Assim, quando uma pessoa vacinada é infectada neste momento, é principalmente pela ômicron.
Já os infectados não vacinados são apenas afetados não apenas pela ômicron, mas também – muito mais do que os vacinados – pela delta.
E os não vacinados não estão protegidos contra as formas graves da doença, se forem contaminados.