O estado do Piauí receberá, ao meio dia desta terça-feira (25), um novo lote de vacinas da Pfizer, para imunizar crianças de 05 a 11 anos. Serão 29.200 doses, que fazem parte do terceiro lote enviado para este público.
No Piauí, 3.735 crianças já tomaram a primeira dose contra a Covid-19. Nesta segunda semana de imunização desta faixa etária, 68 cidades piauienses já estão aplicando as doses. “Mais uma vez chamamos nossos pais e responsáveis para levar nossas crianças para tomar sua dose de vacina. Estamos em uma época de alta transmissão do vírus e a vacina é uma arma fundamental para combater a Covid-19 e suas complicações”, lembra o secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto.
No Brasil, dois imunizantes estão sendo usados para a o público infantil. A Pfizer pediátrica, que pode ser aplicada em crianças de 05 a 11 anos, inclusive naquelas imunossuprimidas, com o intervalo de 08 semanas entre a primeira e a segunda aplicação. E a CoronaVac, que deve ser aplicada em pessoas de 06 a 17 anos, não podendo ser vacinadas pessoas dessa faixa etária que são imunossuprimidas, a dose é a mesma aplicada em adultos e tem o intervalo de 28 dias entre primeira e segunda dose.
“Para aumentar a oferta de doses para o público infantil, a Sesapi enviou aos municípios 54 mil vacinas CoronaVac,para ser aplicada em pessoas de 06 a 17 anos.Essas vacinas fazem parte das doses que o Governo do Piauí comprou diretamente com o Instituto Butantan”, destaca o gestor.
Mesmo com o aumento exponencial de novos casos de Covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde prevê que o pico ocorrerá somente em fevereiro, em razão da variante Ômicron, que já representa mais de 90% das novas infecções no país. De acordo com o ministro Marcelo Queiroga, a preocupação da pasta é avançar com a imunização e aumentar a capacidade de atendimento na rede pública, a fim de suportar a pressão esperada.
"O pico da onda Ômicron acontece cerca de 45 dias após o início das infecções. Então temos que nos preparar para os próximos 30 dias, quando teremos o maior número de casos e, consequentemente, uma maior pressão sobre o sistema de saúde", afirmou Queiroga, em conversa com jornalistas, nesta segunda-feira (24).
Pensando nisso, o Ministério da Saúde prorrogou por 30 dias a ajuda de custo dada a estados e municípios para a manutenção de 14.254 leitos de UTI (unidade de terapia intensiva). Ainda assim, Queiroga observou a necessidade de investir nas vagas para atender casos menos graves. Segundo o ministro, o perfil do paciente Ômicron demanda mais de leitos clínicos, e, por isso, o objetivo é "fortalecer o atendimento da atenção primária".
Além de continuar apoiando a abertura de leitos de enfermaria e de UTI, Queiroga frisou que a estratégia para minimizar a pressão no SUS consiste em intensificar a testagem e a vacinação. O ministro citou os esforços sobretudo no Norte do país: "A região mais vulnerável é a Norte. O objetivo é ampliar a cobertura vacinal com a segunda dose da vacina e a dose de reforço, sobretudo no público mais vulnerável". Ele afirmou que a pasta acompanha os estados da região.
Para intensificar a testagem, o Ministério da Saúde planeja distribuir, até março, 80 milhões de testes rápidos de antígenos para detectar a doença. A liberação dos autotestes continua sendo uma estratégia defendida pela pasta a fim de acelerar e ampliar os diagnósticos. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) adiou a decisão que poderia liberar a comercialização e o uso dos autotestes no país e aguarda informações do Ministério da Saúde para decidir sobre o tema.
"Essas informações estão sendo discutidas com a área técnica, e o objetivo é concluir o mais rápido possível, para que a população brasileira que desejar adquirir testes em farmácia o faça. [Serve] Para ampliarmos a capacidade de testagem e termos um acompanhamento melhor do cenário epidemiológico", destacou Queiroga.
Mesmo ainda sem a estratégia e com instabilidades no sistema de inserção de dados, houve um aumento drástico no número de novos casos de Covid-19 nas últimas semanas. De acordo com levantamento do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), a média móvel de sete dias de casos da doença está em 149.085, o que representa o sexto recorde consecutivo e um aumento de 311% em comparação com a média de duas semanas atrás. A alta ocorre desde o dia 2 de janeiro.
O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, previu que a Covid-19 não vai desaparecer tão cedo e que o mundo continuará a viver com ela, mas afirmou que "aprender a viver com esta doença não significa lhe dar liberdade total".
"Vamos conviver com a Covid-19 em um futuro próximo, e precisamos aprender a administrá-la com sistemas sustentáveis e integrados para o controle de doenças respiratórias agudas", disse o dirigente na abertura do Comitê Executivo da OMS, que realiza nesta semana sua 150ª sessão.
Entretanto, de acordo com ele, "aprender a conviver com a Covid não significa lhe dar liberdade total, não pode significar aceitar as atuais 50 mil mortes por semana por uma doença que é previsível e tratável".
Adhanon também pediu para que "não sejam ignoradas as consequências da 'Covid longa', que ainda não são totalmente compreendidas", referindo-se às muitas pessoas que, mesmo após se recuperarem da doença manifestam múltiplos problemas de saúde.
O chefe da OMS afirmou que existem diferentes cenários para o término da fase aguda da pandemia, mas que "é perigoso assumir que a variante Ômicron é a última ou que já estamos no fim". "Por outro lado, as condições são ótimas para que surjam novas variantes", devido ao número recorde de infecções, que em 20 de janeiro foram as mais altas em mais de dois anos da pandemia, com quase 4 milhões de casos globais em um único dia.
Tedros lembrou que o dia 30 de janeiro marca dois anos desde que a OMS declarou uma emergência internacional para o coronavírus, quando fora da China havia menos de uma centena de casos e nenhuma morte.
"Dois anos depois, quase 350 milhões de casos e mais de 5,5 milhões de mortes foram relatados, números que sabemos serem conservadores", enfatizou, além de advertir que agora 100 casos são confirmados em todo o mundo a cada três segundos e cinco mortes a cada minuto.
"Entendemos que todos estão cansados da pandemia, que as pessoas estão exaustas das restrições ao movimento, que as economias e as empresas estão sofrendo e que muitos governos estão andando na corda bamba tentando equilibrar o que é eficaz e o que é aceitável para a população", concluiu.
Não tem jeito, quando o assunto é cuidar da saúde mais cedo ou mais tarde chega-se ao tema da importância das atividades físicas para uma vida saudável. Não seria diferente com a Covid-19 e os efeitos das vacinas contra a doença.
Um estudo feito no Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, com 748 pacientes, mostrou que a produção de anticorpos após a imunização é maior e o tempo da proteção no organismo é mais longo em pessoas fisicamente ativas. Bruno Gualano, professor do Departamento de Clínica Médica da FMUSP e especialista em fisiologia do exercício, explica que o ensaio começou em pessoas imunocomprometidas e a resposta foi positiva.
Os pesquisadores estenderam o estudo a um grupo de indivíduos saudáveis. “Conseguimos generalizar as respostas que obtivemos em pessoas imunocomprometidas. Aqueles que tinham o hábito de atividades físicas em comparação aos inativos formavam mais anticorpos contra o Sars-CoV-2”, relata Gualano.
Após seis meses do esquema vacinal completo, com duas doses, a proteção contra a Covid-19 diminui e o ensaio descobriu que as pessoas ativas mantêm por mais tempo índices maiores de proteção.
“Esse é um dado interessante em especial para as pessoas imunocomprometidas, porque elas sempre respondem mal às vacinas de uma maneira geral”, explica o professor.
O estudo foi feito com a CoronaVac, imunizante produzido no Brasil pelo Instituto Butantan, porém o especialista acredita que a resposta seja igual para as outras vacinas contra a Covid-19.
“O comportamento, a cinética e a resposta da vacinação são parecidos. Acreditamos que se o mesmo estudo for replicado em indivíduos que recebam outro tipo de vacina a chance de o resultado ser igual é grande”, observa Gualano. “Até porque já sabemos que quem faz atividade física regular responde melhor às vacinas para outras doenças, principalmente os imunocomprometidos. Nesse caso, falo também dos idosos que apresentam queda de imunidade”, acrescenta ele.
O que é fisicamente ativo? De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o indivíduo fisicamente ativo é aquele que faz pelo menos 150 minutos de atividades por semana, de intensidade moderada ou rigorosa. “Aquela que se conversarmos com quem está ao nosso lado ficamos ofegantes. Isso perfaz 30 minutos de atividade, cinco vezes por semana”, orienta o professor.
Outro achado do estudo mostra que nas pessoas que superam o mínimo indicado pela organização a eficácia do imunizante é ainda maior.
“Se a pessoa faz ainda mais atividade física, por exemplo 350 minutos por semana, o que dá 50 minutos todos os dias, a resposta é ainda maior. É o efeito que chamamos de dose-resposta: quanto mais exercício, melhor a resposta da vacina”, afirma Gualano.
Mudanças causadas pela pandemia Levando em consideração dados de 2020 da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgados na última segunda-feira (17), a pandemia diminuiu o número de brasileiros ativos, consequentemente, aumentou a quantidade de obesos no país.
“Os dados do Vigitel chamam atenção com as doenças crônicas não transmissíveis, no médio e longo prazo, e a curto prazo com a Covid. Pessoas mais saudáveis respondem melhor às infecções, não é diferente para a Covid. Vivemos com uma bomba-relógio, já que doença crônica é mais fácil prevenir do que pagar o preço do tratamento”, alerta o pesquisador.
Pequenas mudanças fazem a diferença Para se transformar em um indivíduo ativo, não é necessário entrar em academia, fazer um esporte de alto rendimento ou tomar muito tempo da rotina diária. Pequenas mudanças fazem a diferença.
“É importante ter um estilo de vida mais ativo. Isso envolve evitar carros, evitar ficar muito tempo nas telas [computador, tablets e celulares]. A OMS fala: todas as atividades são contabilizadas, de deslocamento, de trabalho, lazer, as domésticas”, ensina Bruno.
A mudança de comportamento começa a partir de políticas públicas que ajudem na conscientização das pessoas. “Chego a achar engraçado alguém falar para quem mora em Ermelino Matarazzo [periferia na zona leste de São Paulo] descer um ponto de ônibus antes para fazer atividade física. Mas, de que jeito? Sem segurança, calçada, iluminação. Cabe ao estado fazer chegar o movimento a essa pessoa”, ressalta o professor.
No fim, as formas de prevenção para qualquer doença têm a mesma receita. "Comece de algum lugar, mire no recomendado. Atingiu o mínimo, progrida. A pandemia mais cedo ou mais tarde vai passar, mas a obesidade vai continuar, as doenças crônicas vão continuar. A proteção é sempre a mesma: boa alimentação, não tabagismo, prática regular de atividades físicas, manter um peso saudável”, conclui Bruno Gualano.