A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revisou, durante reunião realizada nessa terça-feira (1º), a exigência de retenção de receita para os medicamentos Ivermectina e Nitazoxanida.
“Neste contexto, verificou-se que os medicamentos Ivermectina e Nitazoxanida, no momento, não se encontram sob ameaça de desabastecimento de mercado. A alteração foi adotada visando garantir o acesso da população ao tratamento de verminoses e parasitoses bastante conhecidas e bem significativas", diz a Agência.
De acordo com a Anvisa, a medida faz parte do monitoramento de substâncias sujeitas a controle em virtude da emergência de saúde pública em função da pandemia relacionada ao novo coronavírus (covid-19).
“A decisão considera ainda que os dois medicamentos já são de prescrição médica e não vêm sendo utilizados em doenças e pacientes crônicos”. A medida começa a valer a partir da publicação no Diário Oficial da União.
O vereador Salomão Holanda, de Floriano-PI, informou no começo da tarde de hoje, 01º, ao Piaiuí Notícias que testou positivo para o novo coronavirus.
Por telefone, ao PN, o vereador afirmou que está terminando de cumprir a quarentena. "Ja estou há 12 doze dias em isolamento domiciliar", disse o parlamentar.
Ele explicou que na sua empresa surgiu um caso para o COVID e, que todos os demais colaboradores foram orientados a serem submetidos aos testes.
Das mais de vinte pessoas que fizeram, pelo menos quatro, incluindo o vereador, deram positivo. Ele disse que a empresa chegou a ficar fechada por três dias, mas logo os que testaram negativo voltaram as suas funções.
Mesmo não tendo sintomas e afirmando que está bem, o empresário e vereador afirmou que se trata de uma experiência ruim. "Gostaria que ninguém, passasse por isso", disse o vereador.
Fadiga, falta de ar, tosse, inchaço dos membros inferiores, aumento da frequência cardíaca, perda de memória, confusão mental… Para muitas pessoas, esses desequilíbrios são vistos como intercorrências momentâneas atribuídas ao envelhecimento e ao estresse da vida moderna. Mas esses sintomas também podem acusar a insuficiência cardíaca (IC), uma doença que, sem tratamento adequado, chega a levar à morte.
A insuficiência cardíaca se caracteriza pelo coração fraco ou rígido, que não consegue cumprir sua função de bombear sangue suficiente para o corpo, comprometendo a irrigação dos órgãos e lesando o sistema de maneira geral. Ela afeta um ou ambos os lados do coração. É como se uma bomba d´água deixasse de funcionar de forma adequada para abastecer o sistema hidráulico da casa toda.
Há várias causas da IC. Entre as mais comuns estão as lesões do músculo cardíaco ocasionadas pelo estreitamento das artérias ou por infarto, hipertensão arterial – que faz o coração crescer demais ou enrijecer –, alterações nas válvulas do coração, defeitos congênitos, infecções que afetam o órgão e arritmias. Pré-disposição genética (ter pais ou parentes próximos com problemas cardíacos) também entra nessa conta. Estimativas indicam que uma em cada cinco pessoas com mais de 45 anos desenvolvem a insuficiência cardíaca.
A doença pode aparecer de uma hora para outra, mas sua característica mais marcante é ser crônica e de longo prazo. Isso parece ruim, mas tem seu lado bom: se diagnosticada em estágio preliminar, ela pode ser acompanhada e tratada sem afetar muito o bem-estar de seus portadores.
Insuficiência cardíaca é uma questão de saúde pública
Estamos falando de um dos problemas do coração que mais crescem no mundo. Ele está associado à alta mortalidade e à baixa qualidade de vida, devido a internações recorrentes e de alto custo. A relevância fez com que o tema ganhasse as páginas da edição comemorativa de 30 anos da revista científica da Socesp – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, inteiramente dedicada ao assunto.
Atualmente, estima-se que 23 milhões de pessoas no mundo tenham IC. No Brasil, os dados apontam para 3 milhões, com cerca de 50 mil mortes por ano. Estudos indicam que uma das razões para a curva ascendente é a alta incidência de hipertensos (muitos deles mal controlados). Outra envolve o fato de que mais indivíduos, graças aos avanços da medicina, sobrevivem aos infartos hoje em dia. Com isso eles carregam lesões cardíacas para o resto da vida que podem desencadear a insuficiência. O envelhecimento da população também contribui para o cenário atual.
Um levantamento do 1º Registro Brasileiro de IC (Breathe – Brazilian Registry of Acute Heart Failure) constatou que, no decorrer de 12 meses, 40% de 1 270 pacientes internados em 51 hospitais de 21 cidades brasileiras morreram. Do total, 73,1% apresentavam idade superior a 75 anos e 60% eram mulheres.
Como tratar a evitar a insuficiência cardíaca
Uma vez diagnosticada, essa doença será tratada segundo sua gravidade, considerando, principalmente, as razões que a desencadearam. Casos mais leves podem ser controlados com mudanças simples no estilo de vida: alimentação saudável, exercícios físicos e uso de medicamentos.
Já as situações mais graves podem requerer procedimentos cirúrgicos de correção, colocação de marcapasso e até transplante cardíaco ou a utilização de dispositivos que substituem a bomba do coração. É o chamado “coração artificial”.
Entretanto, por mais que a ciência avance buscando caminhos de cura ou controle, não existe nada tão benéfico quanto atitudes que se antecipam às doenças ou à obtenção do diagnóstico precoce. Com a insuficiência cardíaca não é diferente: iniciativas ao alcance de todos podem salvar vidas e são o pontapé inicial para ganhar esse jogo.
Uma vez que infartos, diabetes do tipo 2 e hipertensão arterial estão entre as principais razões para a IC, a prevenção e tratamento desses fatores de risco é fundamental para se evitar o enfraquecimento do músculo cardíaco. Segundo pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, a queda de 10 pontos na pressão arterial sistólica (aquela de valor mais alto) reduz em 50% o risco de insuficiência cardíaca.
Exercícios físicos, fim do tabagismo e alimentação saudável são sempre a melhor recomendação para prevenção. Caminhadas – entre outras modalidades – e ingestão de frutas, hortaliças, carnes magras (peixe assados ou cozidos pela menos uma vez por semana) e cereais, além da diminuição do consumo de gorduras trans e sal, são procedimentos muito bem-vindos.
No sábado (29) é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, que tem o objetivo de conscientizar sobre os danos causados pelo cigarro. O oncologista Luís Henrique de Carvalho afirma que diante dessa pandemia o combate ao tabagismo é ainda mais importante.
“O tabagista tem todo o trato respiratório acometido, além de uma inflamação crônica no organismo. É um paciente mais frágil para infecções, ainda mais a covid-19 que tem uma atuação importante no sistema respiratório e causa um quadro inflamatório generalizado que ainda não conhecemos muito bem o mecanismo.”
egundo Carvalho, o baixo nível de oxigênio no sangue e a exposição a outras toxinas do tabaco levam à disfunção da camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos e linfáticos, o que pode levar a um processo inflamatório generalizado.
“A nicotina e todas as substâncias que estão presentes no cigarro causam muitas interações moleculares que prejudicam o sistema respiratório.”
Além disso, fumar aumenta o risco para doenças cardíacas, pulmonares, vasculares e diversos tipos de câncer, como a leucemia, câncer de bexiga, de pâncreas, de pulmão, laringe, esôfago, entre outros. Condições também consideradas fatores de risco para a covid-19.
O médico explica que a interação da nicotina e outras substâncias modificam o processo celular do corpo e pode desencadear o surgimento de tumores.
“Os órgãos como laringe, esôfago e o próprio pulmão são expostos diretamente à fumaça, é um processo direto. Além disso, parte dessas substâncias pode se acumular na parede gástrica. Agora, o câncer de bexiga, parte do que circula no sangue é processado via rins e excretado pela urina, então também existe essa exposição.”
Carvalho afirma que pesquisas mostram que o risco de pessoas fumantes desenvolverem câncer é 30% maior que as que não fumam. “O que vemos no dia a dia é um número ainda maior que este. O tabagismo é responsável por até 90% da mortalidade dos pacientes com câncer de pulmão, ou seja, é uma taxa extremamente alta.”
Como parar de fumar? “O cigarro é feito para que a pessoa não consiga parar de fumar e crie dependência química. É extremamente prejudicial”, afirma o oncologista. Segundo ele, o processo bioquímico que acontece no cérebro no ato de fumar é muito intenso e gera um alívio da ansiedade.
O médico Marcelo Demarzo, especializado em mindfulness explica que “o cérebro possui um sistema de aprendizado baseado em recompensa, ou seja, fazer algo que faça nos sentirmos bem acaba reforçando o comportamento, estimulando para que façamos a mesma coisa mais vezes.”
Ao fumar, a nicotina é fornecida ao cérebro, que se liga em receptores e desencadeiam uma onda de dopamina, um neurotransmissor que provoca bem-estar imediato.
O tratamento é feito com uma equipe multidisciplinar, mas depende muito da iniciativa do paciente. “O paciente precisa de muita persistência, buscar o entendimento que pode ser algo difícil e prolongado”, afirma Carvalho.
O primeiro passo é buscar ajuda profissional. O oncologista informa que, para as pessoas que não puderem buscar clínicas particulares, os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) possuem grupos e procedimentos muito eficazes.
“A gente sabe de algumas pessoas que param sozinhas, dependendo do grau, mas quem fuma com mais frequência é recomendado que ela tenha um apoio nesse momento”, afirma Demarzo.
Segundo ele, uma das estratégias que podem ser utilizadas com bons resultados é a prática de mindfulness ou atenção plena. “Ela é usada na fase de manutenção normalmente, que é o momento em que existe grande risco de recaída. Algumas pesquisas indicam que o mindfulness diminui até 70% a chance de recaída.”
A prática consiste em um treinamento de atenção, em que a pessoa procura ficar mais presente nas atividades do dia a dia, isso diminui o estresse e ajuda a tomar decisões mais conscientes.
“Muitas vezes o que acontece é que a pessoa já está há dois meses sem fumar e aí fuma uma vez em uma festa, por exemplo, isso gera culpa e uma autocrítica muito grande, que faz com que ela se sinta mal e aí volte a fumar. O mindfulness faz você ter uma noção de autocuidado e autocompaixão maior, evitando isso.”
O médico acrescenta que o treinamento amplia a percepção dos efeitos imediatos do cigarro, fazendo com que a pessoa preste mais atenção ao ato de fumar e perceba, por exemplo, a sensação de queimação enquanto inala a fumaça, ou se atente ao gosto e ao cheiro desagradável.
A quarentena, por aumentar o estresse e ansiedade, pode piorar o tratamento de tabagismo nesse momento, afirma Carvalho. Segundo Demarzo, o mindfulness também pode ajudar nesse processo.
“A gente sabe que é importante que tenhamos ferramentas para lidar com o estresse desse período e o mindfulness é uma delas. Muita gente que já conhecia voltou a praticar. Além disso, as pessoas estão revendo seus hábitos e seus valores, muita gente pode fazer essa escolha. Se for uma escolha consciente e não forçada e ela estiver com a motivação, então pode ser o momento sim.”