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Algumas vacinas nasais contra a covid-19 estão sendo desenvolvidas, porém ainda em fases pré-clínicas, que são testes laboratoriais em animais. Segundo o pediatra infectologista Marco Sáfadi, membro da Comissão Técnica para Revisão dos Calendários Vacinais da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), a grande vantagem desse tipo de vacina é que ela pode gerar uma resposta imunológica nas mucosas, que protege não só da doença, mas também da infecção.

“As vacinas que estão em estágio mais avançados têm a proposta de proteger da doença, ou seja, evitar que a pessoa fique com sintomas, se hospitalize e possa até falecer. Existe a hipótese de que a vacina nasal gere uma resposta imunológica na mucosa, que impeça que a pessoa seja infectada pelo vírus, que ela carregue o vírus e transmita”, afirma.

 

Ele explica que, com uma vacina que promova esse tipo de resposta, a imunidade coletiva pode ser atingida mais rápido, já que haverá menos circulação do vírus. Sáfadi ressalta que existe apenas uma vacina atualmente que utiliza essa plataforma, que é um imunizante contra a gripe.

“Essa vacina tenta simular o processo natural de infecção. Se a pessoa fosse contaminada naturalmente seria pelo trato respiratório.”

A vacina nasal de gripe utiliza a tecnologia de vírus atenuado e, por esse motivo, não pode ser utilizada em determinados grupos como imunodeprimidos, pessoas em tratamento de câncer e gestantes.

As vacinas nasais para covid-19 utilizam a tecnologia de vetor de adenovírus não replicante. Um vírus que é modificado para carregar a informação para a produção de uma proteína do Sars-Cov-2.

“Esse vírus entra em contato com a nossa célula, ele tem a informação para a produção dessa proteína. Nossa célula produz essa proteína e aí geramos uma resposta contra ela.”

Esse tipo de tecnologia não tem a expectativa de ser contraindicada para imunodeprimidos, mas é necessário realizar testes. “Não é como uma vacina de vírus atenuado, que tem uma grande chance de não poder ser utilizada nesse grupo, mas ainda não podemos afirmar.”

Outra vantagem desse tipo de vacina é a facilidade de aplicação. “Para aplicar em crianças principalmente. É uma perspectiva muito mais amigável e rápida.”

O médico explica que, mesmo com outras vacinas aprovadas e em circulação, é interessante que as pesquisas de outras plataformas continuem. “Quanto mais vacinas tivermos melhor. Pode ser que sirva para um grupo que não poderia tomar outra, ou que tenha uma proposta diferente, como essa.”

Segundo Sáfadi, ainda é cedo para apontar desvantagens. “Vão aparecer com os testes. Por enquanto, a desvantagem é que vai demorar bastante para estar disponível, pois ainda nem começaram os testes clínicos.”

Uma vacina por spray nasal contra a covid-19 está sendo desenvolvida pela USP (Universidade de São Paulo). Essa plataforma de imunização já foi testada em camundongos contra a hepatite B com resultados positivos.

A Universidade de Oxford e o Imperial College, no Reino Unidos, também desenvolvem vacinas nasais.

 

R7

 

 

Um estudo que está sendo realizado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, busca identificar como a falta de vitamina D pode prolongar o tempo de internação, apresentar complicações e aumentar taxas de mortalidade entre idosos com o vírus da Covid-19.

O experimento está em andamento com cerca de 140 pacientes acima de 60 anos que têm analisado seus níveis da vitamina.
egundo o geriatra Alberto Frisoli, líder da pesquisa e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é comum que pacientes com mais de 60 anos apresentem deficiência de D e síndrome de fragilidade - caracterizada por sinais como fadiga, perda de peso e fraqueza.

No entanto, não se sabe ainda como isso pode contribuir para complicações em infectados com o vírus Sars-Cov-2.

Frisoli explica que o estudo está na fase de coleta de dados. "Basicamente, até o momento, estamos identificando que, entre pacientes graves, o índice de deficiência de vitamina D é muito alto".

A vitamina D é importante para metabolizar o cálcio e o fósforo no nosso organismo, sendo importante para a saúde dos ossos. Cerca de 80% da necessidade diária pode ser adquirida pela exposição diária ao sol e 20% pela ingestão alimentar.

A falta dessa vitamina pode causar problemas musculoesqueléticos, como raquitismo, osteoporose, e um maior risco em contrair infecções.

Até novembro deste ano os pesquisadores pretendem analisar dados de 200 pacientes e observar se sua ausência piora o quadro clínico.

Pesquisa nos EUA
No início de setembro, pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, publicaram um estudo que conseguiu avaliar a relação entre níveis de vitamina D e infecção por Covid-19.

E o resultado — que deve ser tomados com cautela, segundo os próprios autores — indicou que, entre pessoas com deficiência de vitamina D, o percentual de infectados foi maior do que na comparação com aqueles sem essa condição.


A pesquisa realizou testes moleculares (PCR) para Covid-19 em 489 pacientes e analisaram também os níveis de vitamina D de cada participante, que já constavam em um sistema da faculdade de medicina com dados de saúde. Por isso, o estudo é considerado do tipo retrospectivo e observacional — os autores se valeram de dados já registrados, buscando uma conexão entre eles.

Do total de pacientes incluídos no estudo, 71 (15%) testaram positivo para Covid-19. Entre os participantes considerados deficientes para vitamina D, 19% (32 participantes) testaram positivo, enquanto no grupo sem deficiência, o percentual foi de 12% (39).

 

G1

vacinacriançaBebês e crianças menores de 3 anos terão de aguardar mais tempo do que outros grupos para ter uma vacina contra a covid-19. O infectologista Marcelo Otsuka, da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), explica que essa faixa etária normalmente fica por último em testes de vacinas e medicamentos.

“Essa faixa etária normalmente sofre na questão de medicamentos, pois é muito mais difícil de analisar. Um dos fatores é que o paciente não expressa possíveis sintomas e sensações. Além disso, você precisa de um adulto responsável que concorde com o teste e leve a criança até o local da testagem.”


A empresa chinesa Sinovac, que desenvolve a vacina CoronaVac, que realiza testes no Brasil, anunciou na quinta-feira (17) que vai testar sua vacina em crianças de 3 a 17 anos. Segundo a empresa, a aplicação nessa faixa etária pode evitar surtos da doenças em escolas e creches. Os testes serão realizados a partir do dia 28 na China.


“Quanto mais grupos as vacinas puderem atingir, melhor. Mesmo que a covid-19 não seja tão frequente em crianças, elas também podem ficar hospitalizadas e ter quadros graves, além disso, podem contaminar pessoas do grupo de risco. Se estiverem vacinadas, isso contribui para diminuir a transmissão.”

O médico explica que os testes devem continuar e que, com o tempo, os menores de 3 anos também vão ser testados.

Otsuka lembra que não é recomendado que crianças menores de 2 anos usem máscaras por conta do risco de asfixia. Ele recomenda que essa faixa etária só saia de casa em caso de extrema necessidade e que todas as outras medidas de prevenção sejam mantidas, como distanciamento social e higiene das mãos.

 

R7

Roman Pilipey/EFE/EPA

No mesmo evento da Sociedade Europeia de Cardiologia que alertou para os riscos das longas sonecas, tema da coluna de terça-feira, nossa microbiota ou flora intestinal foi assunto de destaque. Ela é composta por trilhões de microorganismos – basicamente bactérias e seres unicelulares conhecidos como arqueias – que realizam uma série de funções úteis. Tão úteis que pesquisadores divulgaram estudo, considerado especialmente importante, que reforça a tese da grande influência da microbiota na saúde e na doença, por estar associada a condições de pressão arterial, níveis de colesterol e o índice de massa corporal (IMC).


“Nosso estudo indica que a microbiota tem papel relevante na manutenção da saúde e pode nos ajudar a desenvolver novos tratamentos. Pesquisas anteriores mostraram que a composição do microbioma humano podia ser parcialmente explicada por variantes genéticas. Em vez de pesquisar a composição genética do microbioma em si, usamos as alterações genéticas para estimar sua composição”, declarou a doutora Hilde Groot, da Universidade de Groningen, na Holanda.

O percurso do trabalho foi o seguinte: foram avaliados os dados genéticos de mais de 420 mil pessoas, com idade média de 57 anos e sem relações de parentesco, sendo que 54% eram mulheres. Os pesquisadores descobriram que a existência de níveis elevados de 11 bactérias – a estimativa foi feita a partir dos dados do banco de genes – estava atrelada a 28 indicadores na saúde dos indivíduos, como, por exemplo, doença pulmonar obstrutiva crônica, atopia (a tendência hereditária de desenvolver doenças alérgicas como asma e eczema), frequência de consumo de álcool, pressão alta, níveis de colesterol e de índice de massa corporal acima do normal.

A doutora Groot citou como exemplo que níveis elevados da bactéria do gênero Ruminococcus estavam ligados ao risco aumentado para pressão alta. Em relação ao consumo de álcool, afirmou que tudo o que comemos e bebemos tem relação com o perfil do microbioma: “observamos níveis aumentados de Methanobacterium quando há consumo frequente de bebida. São achados que sustentam a tese de associação entre as substâncias produzidas em nossa microbiota intestinal e doenças”. E nós com isso? Num futuro não muito distante, podemos imaginar alimentos capazes de mudar o perfil da flora intestinal e diminuir os riscos de algumas doenças.

 

G1